Cerveja e Empreendedorismo? “Dá match”!

Engenheiro Agrônomo, Gustavo Barreira é hoje o empreendedor por trás da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) e com ela almeja ser o principal case de cervejas artesanais do Brasil.

Gustavo Barreira, CEO da CBCA
Gustavo Barreira, CEO da CBCA – Companhia que tem as cervejas Leuven e Schornstein no portfólio | Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.

Com formação em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP e pós-graduação na área de Finanças pelo Insper, Gustavo iniciou sua carreira no Citibank como trainee, no qual permaneceu por sete anos. Após esse período, migrou para a área financeira de grandes empresas como a Votorantim Celulose e Papel, além de controladoria de fundos de Private Equity.

Todo o conhecimento e experiência adquirida ao longo desses anos no setor corporativo fez com que o empreendimento na cervejaria Leuven, em 2015, fosse natural. Após um crescimento médio anual de 90% desde então, a marca se fundiu com a cervejaria Schornstein, resultando na Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal – CBCA, onde hoje Gustavo atua como CEO.

Este ano, Gustavo Barreira foi um dos convidados da 8ª Conferência Campinas Startups, onde nos contou um pouco de sua trajetória e de seu dia a dia empreendendo no setor de cervejaria. Aqui, ele nos concede uma entrevista para relembrar como foi esse bate papo.

1 – Como você começou a empreender?

Sempre me senti motivado trabalhando em grandes projetos nas empresas por onde passei, mas me sentia pouco motivado quando caía na rotina. Sempre tive uma necessidade de realizar, construir algo e portanto a minha migração para a Leuven foi preparada e natural.

2 – Houve um “momento de virada” na construção do seu negócio?

A Leuven vinha crescendo desde 2015 e em 2017 precisávamos expandir, mudar a fábrica e adquirir equipamentos. Estudamos diversas formas de financiar o crescimento, considerando dívida ou mesmo um grande investidor. Mas nenhuma brilhava os olhos. Foi quando tivemos a sacada de fazer um financiamento coletivo e quase que ao mesmo tempo, a CVM emitiu a instrução 588 que regulamentava o equity crowdfunding no Brasil. Sem que tivéssemos um histórico desta operação com cervejarias, nos lançamos neste projeto e o resultado foi incrível, captamos R$1,5M, em 8 dias, recorde de volume e velocidade na época. Isso nos deu força, criou uma comunidade incrível e me fez começar a desenhar o plano da CBCA.

3 – Poderia detalhar um pouco mais a sua trajetória empreendedora?

Sempre empreendi em grandes empresas, o que é completamente diferente de empreender com capital próprio. Começamos na Leuven em 2015, a princípio tocando como um segundo negócio, enquanto eu me preparava para me dedicar 100% à ela.

4 – Quais foram os principais desafios que você precisou vencer ao longo desta trajetória?

Montar um time forte e acesso a capital a custos competitivos. Dois grandes gargalos do nosso país.

5 – E como esses desafios foram enfrentados?

Capacitando aos poucos as pessoas dentro de casa e via o equity crowdfunding.

6 – Quais as dicas que você dá para quem deseja iniciar um novo negócio?

Montar um plano de negócios, ter clareza de onde se quer chegar e dos riscos envolvidos. Se preparar para ser resiliente, isso é fundamental.

7 – Tem planos para sua trajetória empreendedora? Como se imagina ou quer estar no futuro?

A CBCA já é uma realidade e em breve deve crescer com novas aquisições. Pretendemos ser o principal case de cervejas artesanais no Brasil, oferecendo produtos de alta qualidade, marcas premiadas, a preços justos, para consumidores em todo Brasil. Unir o Brasil pela boa cerveja.

8 – Em resumo, qual foi a mensagem que você quis passar na 8ª Conferência Campinas Startups?

O sentimento de realização na vida empreendedora é incrível, mas devemos estar preparados para ser criativos, inovadores e buscar rotas que nossos competidores não enxergam ou não conseguem executar.

9 – Você considera que Campinas é um bom lugar para os que desejam iniciar um novo negócio?

Sem dúvida. Cidade grande, com poder aquisitivo, acesso a boas rodovias e universidades de boa qualidade.

10 – Na sua visão, o que a cidade oferece ou deveria oferecer como atrativo aos empreendedores?

Incentivos tributários, formas de capacitação de mão de obra. Mas não transfiro essa responsabilidade apenas para o poder público. O empresário pode contribuir e desenvolver bons projetos a quatro mãos.

11 – De que forma você vê iniciativas como a Campinas Tech no fortalecimento do empreendedorismo nas cidades?

Diferente de anos atrás, o Brasil vive hoje um ambiente favorável ao empreendedorismo e acesso a capital. A oportunidade de escutar cases de empreendedores nos motiva e traz insights para aprender com o erro dos outros e compartilhar os nossos.


Entrevista, redação e revisão:
Felipe, da Campinas Tech.