Setembro Amarelo e a saúde psicológica do empreendedor

Setembro Amarelo e a saúde psicológica do empreendedor | Foto por pressfoto no Freepik.

Desde 2015, o mês de setembro é dedicado à conscientização em prol da saúde mental e à prevenção do suicídio no Brasil. No período, vários setores da sociedade passam a discutir e refletir sobre práticas e comportamentos cotidianos que podem ser prejudiciais ao psicológico das pessoas.

Neste momento, é comum pensarmos na pressão do ambiente corporativo sobre seus colaboradores, na dura realidade do ambiente acadêmico ou na “toxicidade” das redes sociais como lugares comuns para se estar na linha de frente na conscientização.

Entretanto, um perfil profissional por vezes não é devidamente notado e incluído nos debates promovidos durante o setembro amarelo: a pessoa empreendedora. E é sobre ela que vamos discutir aqui.

Um pouco da história do Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é um movimento que se iniciou nos EUA em 1994, quando o jovem de 17 anos, Mike Emme, cometeu suicídio.

Mike era um rapaz muito habilidoso e, pouco antes do fatídico suicídio causado por depressão, havia restaurado um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. A cor fez com que ele fosse chamado de “Mustag Mike”.

Em seu velório, uma cesta com cartões decorados com fitas amarelas foi disponibilizada como homenagem a Mike. Dentro dos cartões havia uma mensagem como “Se você precisar, peça ajuda”.

O ato foi o gatilho para um movimento local e um marco na história de prevenção ao suicídio a partir de então. Os cartões passaram a ser de fato um pedido de ajuda para as outras pessoas que o receberam. A partir daí, o laço amarelo se tornou um símbolo do combate ao suicídio.

No Brasil, o movimento recebeu a alcunha de Setembro Amarelo e é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Centro de Valorização da Vida (CVV). Mundialmente, o dia 10 de setembro é tipo como o dia de prevenção do suicídio.

A saúde mental do empreendedor

É comum atribuirmos à figura do empreendedor e ao universo de startups o glamour, o poder, o dinheiro e a euforia.

Realmente, em vários círculos sociais, empreendedores de sucesso adquirem fama, admiração e reconhecimento. Figuras fora da curva como Mark Zuckerberg ou qualquer outro CEO de unicórnios se tornam referências do que deve ser alcançado por boa parte dos empreendedores. Todavia, alcançar este patamar não será uma realidade para boa parte das startups. E está tudo bem.

Cada trajetória é única e deve ser conciliada com a vida do empreendedor fora dos negócios. Isso porque, paralelamente, há um lado da vida do empreendedor que as pessoas não veem e é muito pouco discutido.

São diversos dramas psicológicos vivenciados e desencadeados por pressões sobre a pessoa empreendedora: sua relação com os clientes, com os colaboradores, questões jurídicas e burocráticas do negócio, questões familiares e até sobre si mesma.

Existem empreendedores que conseguem se adaptar por um tempo e dar a volta por cima. Porém, é comum que muitos sofram de crise de ansiedade e tantos outros desenvolvam até mesmo quadros de depressão.

Fatores que afetam o psicológico do empreendedor

É fundamental para quem é ou conhece um empreendedor, estar atento a alguns aspectos no dia a dia e que influenciam diretamente o psicológico dessa pessoa a curto e médio prazo.

Autoconhecimento

Antes de mais nada, o empreendedor precisa refletir sobre o porquê ele deseja empreender e quais são os fatores que, intrinsecamente, pesam a favor e contra na sua experiência. O saldo dessa conta precisa ser positivo.

Essas motivações não podem ser externas, como ganhar muito dinheiro ou alcançar a fama. Pelo contrário, precisam ser pessoais, como “o que eu gosto de fazer” ou “quem quero ajudar com meu negócio”.

Estabelecendo uma motivação certeira e conhecendo o que funciona ou não para você, as chances de se desmotivar no meio do caminho, e consequentemente de frustrações, serão menores.

Pressão por resultados

No decorrer do empreendimento, pressões internas e externas vão surgir, e é preciso manter o equilíbrio mental e controlar o estresse nesses momentos.

Crescer exponencialmente e atingir metas cada vez maiores são alguns dos resultados que o empreendedor pode ser cobrado. Tanto de investidores, colaboradores, quanto a de si mesmo.

Por isso, desenvolver o autoconhecimento para lidar de forma saudável com essas pressões é essencial. É preciso alinhar as expectativas conforme as capacidades do momento.

A solidão do empreendedor

Na maioria das vezes, empreender é uma trajetória solitária e demanda muita resiliência.

Isso porque não se pode exigir de parceiros e colaboradores que tenham a mesma motivação e intensidade para alcançar um objetivo que não é deles. As pessoas têm propósitos diferentes.

Com isso em mente, o empreendedor precisa canalizar sua energia para fazer com que sua liderança seja, pelo menos, um guia para que os colaboradores trabalhem na direção do seu objetivo.

E estar o tempo todo demonstrando confiança, sem ter com quem compartilhar seus problemas e angústias, pode levar o empreendedor ao esgotamento.

Transformações constantes

O universo empreendedor é conhecido pelas suas mudanças constantes. Assim como hoje pode estar um ambiente extremamente favorável para um negócio, no dia seguinte essa situação poderá se inverter completamente.

Como exemplo, é só pensar nos impactos que a pandemia gerada pelo novo coronavírus trouxe para muitos negócios. Enquanto muitos faliram, outros têm prosperado como nunca antes.

É preciso que o empreendedor, alicerçado em seu autoconhecimento, esteja sempre trabalhando e exercitando sua inteligência emocional. Encarar esses momentos de transformações como oportunidades de renovação para o negócio pode ser uma alternativa.

imprevisibilidade

Simultaneamente às mudanças constantes, ao empreender é preciso estar ciente de que essa jornada é repleta de imprevisibilidade e assumir altos riscos faz parte do processo.

De uma hora para outra, sócios podem mudar as suas premissas, um concorrente pode lançar um produto que gere mais identificação com o seu público ou uma nova lei pode impactar profundamente o modelo de negócio.

Logo, o empreendedor tende a gastar muita energia mental para suportar esses momentos.

Redes de Apoio ao Empreendedor

Por mais que o autoconhecimento, inteligência emocional e resiliência sejam aspectos que precisam partir intrinsecamente do empreendedor, é importante que ele tenha o acompanhamento profissional de um psicólogo durante sua jornada.

Concomitantemente, é importante que o empreendedor compartilhe suas angústias e desafios com quem seja empático às suas dores. Participar de comunidades de empreendedores, como a Campinas Tech, podem ajudar.

A Campinas Tech é uma comunidade baseada em 4 pilares: colaboração, altruísmo, inclusão e resiliência. Reunindo empreendedores, startups, pesquisadores e líderes de grandes empresas, contamos com uma rede diversa e sempre disponível para ouvir e se ajudar.

Portanto, conte conosco sempre!

No mais, não hesite em entrar em contato com o CVV, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.


Redação por:
Felipe, da Campinas Tech.


Material de Apoio:
“O lado obscuro do empreendedorismo: ansiedade, depressão e exaustão”, por Mariângela Guerra (clique aqui para ler).

Da ciência da Química para catalisador do empreendedorismo

Azarite compartilha sua trajetória profissional e os indicadores da Venture Hub

José Eduardo Azarite – vice-presidente de Corporate Innovation da Venture Hub | Foto: Ariela Maier/Campinas Tech.

José Eduardo Azarite é vice-presidente de Corporate Innovation da Venture Hub, um hub de aceleração de startups e inovação corporativa que desenvolve e opera programas de aceleração e inúmeras ações de fomento ao ecossistema de inovação e empreendedorismo na Região Metropolitana de Campinas. Conheça um pouco mais sobre a história da Venture Hub e o que ela está fazendo para trazer mais inovação à nossa área:

Por que a Venture Hub foi criada?

O cenário econômico e de negócios atual no Brasil apresenta forte projeção para o surgimento e crescimento de startups e além disso oportunidades de trabalho serão cada vez mais geradas através do empreendedorismo. Empresas de todos os tamanhos cada vez mais percebem que a cultura de inovação interna e também a inovação aberta são fortes vetores de crescimento sustentável. Diante desse cenário, uma aceleradora de startups e inovação corporativa pode se posicionar e essa foi a oportunidade que a Venture Hub vislumbrou.

Por que Campinas foi escolhida como cidade de implantação?

Campinas/região é um forte polo com uma boa infraestrutura na área de educação, com a presença de importantes instituições de ensino e pesquisa, apresentando ativos intelectuais de alta qualidade e nível global. Da mesma forma, grandes empresas estão localizadas na região, com acesso a tecnologias competitivas a nível mundial.

Além disso, enxergamos como matéria-prima para nós, os empreendedores, e temos que estar em um lugar com pessoas querendo empreender e, preferencialmente, em negócios que possam ser escaláveis em uma visão global. Acreditamos que o ecossistema de Campinas é uma área extremamente fértil para geração de pessoas com mindset empreendedor, além de ser um celeiro de profissionais na área tecnológica.

O que a Venture Hub tem feito para promoção da inovação e empreendedorismo?

A Venture Hub apoia a realização de todas e quaisquer iniciativas que possam promover o amadurecimento do ecossistema de inovação e empreendedorismo. Por exemplo, promoção de eventos e meetups com temáticas tecnológicas em sua maioria, tais como, como Biotech, Blockchain, Investimento (em conjunto com a CampinasTech), Agtech, Inteligência Artificial, dentre outras iniciativas em parceria com outras instituições, comunidades ou empresas. Esses eventos acontecem de maneira a atrair os olhos das pessoas que gostam dessas áreas, aproximando investidores, pesquisadores e corporações que buscam por inovação e pessoas empreendedoras.

Também operamos e desenvolvemos programas de aceleração onde passam mais de 70 startups por ano. Um ótimo exemplo que ilustra esse cenário é o Founder Institute, maior aceleradora de StartUps em fase inicial do mundo, que é dirigido em Campinas pelos sócios fundadores da Venture Hub. Em adição a isso, temos outros programas de aceleração para estágios mais avançados na jornada de uma Startup.

Quantas empresas já passaram pela Venture para aceleração?

Ao todo, mais de 120 Startups já foram aceleradas desde a criação da empresa. Começamos como uma Venture Builder em 2016, num modelo mais customizado “caso a caso”, até que os sócios entenderam e aplicaram um modelo de escala. A partir daí os números cresceram substancialmente, com cerca de 30 Startups aceleradas em 2017, 50 em 2018 e estimadas 70 para 2019.

Quais são os parceiros da Venture Hub, e como vocês atuam em sinergia/parceria? Pode nos dar um exemplo?

Como atuamos de forma neutra em relação aos diferentes atores do ecossistema, as parcerias e a colaboração são fundamentais para o desenvolvimento do nosso negócio. Destaco como alianças institucionais principalmente a Fundação Fórum Campinas Inovadora e Campinas Tech.

No que tange educação, temos diversas parcerias com instituições de ensino, com destaque para Inova Business School, onde atuamos de forma conjunta na curadoria de Masters de extensão e pós graduação; PUC-Campinas, oferecendo cursos de extensão focados em ecossistema e empreendedorismo; Unicamp, com apoio aos programas de empreendedorismo focados em Inovação, como por exemplo o Desafio Unicamp. Além de outras instituições parceiras como Facamp, UFSCar, Mackenzie, etc.

Também temos parcerias relevantes com Institutos de Ciência e Tecnologia, tais como CPqD, atuando no fomento a áreas tecnológicas como Blockchain, IoT, AI, etc; Embrapa, com atuação forte em tecnologia para o Agronegócio; ICTS do qual somos parceiros em programas de aceleração de startups de base tecnológica, com ênfase em automação bancária e de processos industriais. Outros ICTs como Venturus, IAC, ITAL, etc., também estão em nossa rede de maneira bem ativa.

Existem planos de expansão para outras cidades?

A Venture Hub já está presente em San José, no Vale do Silício na Califórnia, onde já exercemos a conexão com ecossistemas locais e mundiais por meio de um spot proporcionado por um investidor da empresa. Temos intenção de expandir para outros ecossistemas “férteis” do país. Possuímos um modelo de Hub de Inovação que pode ser replicável e escalável para outros locais, já em avaliação.

Lendo um pouco sobre sua trajetória profissional, por que da formação em Química você quis seguir para a área de marketing e inovação?

Depois da minha formação em Química na Unicamp em 1983, fui pesquisador na área em uma instituição governamental, que foi privatizada em 1998. Foi então necessário a criação de uma área comercial, para a qual eu me preparei fazendo um MBA em Marketing e uma formação em “Processo Criativo”, as bases para o que atualmente denominam “Design Thinking”. Desta forma, me candidatei e acabei responsável pelo desenvolvimento de negócios, vendas e marketing da Fundação CPqD.

Em 2014, além de vice-presidente no CPqD, passei a ser presidente da Fundação Fórum Campinas Inovadora, que é uma instituição que busca promover o desenvolvimento regional através da inovação e do empreendedorismo. Foi nesse período que digo que “fui picado por um bichinho” que me fez perceber o poder do ecossistema organizado, enxergando em Campinas e região um território com forte vocação para o desenvolvimento baseado no conhecimento.

Comecei então a atuar institucionalmente para colaborar com o aprimoramento desse ecossistema. Vi que havia uma oportunidade forte para o futuro em me posicionar e estar presente e atuante com base em inovação aberta e empreendedorismo. Saí do CPqD em Janeiro de 2018, me tornando sócio na Venture Hub-Corp, onde sou um dos responsáveis pelas ações de inovação corporativa e da conexão do mundo das startups com as grandes empresas que veem nesse contexto a possibilidade de desenvolvimento de negócios, parcerias e investimentos.

A Química é a ciência das interações, pois todos os compostos químicos estáveis fazem boas “combinações” entre moléculas e átomos, e gosto de aplicar essa analogia ao atual mundo dos negócios e do trabalho, em que um ecossistema virtuoso é como se fosse resultado da “boa química” das interações entre as pessoas que estão nesse ecossistema.

Eu trouxe da Química a metáfora das boas interações, de modo que enxergo o networking como a química perfeita.

Quais foram e quais estão sendo os principais desafios da Venture Hub, seja na hora de acelerar empresas ou em outras ações?

Um desafio importante que temos é atrair bons empreendedores. Dizemos que uma boa ideia na mão de um mau empreendedor não vai resultar em bons negócios, mas uma ideia não tão boa nas mãos de um empreendedor de bom perfil, focado, assertivo e resiliente certamente tem maiores chances de sucesso. Queremos nos tornar o principal lugar onde bons empreendedores querem estar!

Outro desafio, é que o Brasil passa por um momento interessante. Muitos investidores têm olhado para nossos empreendedores com bons olhos, mas ainda temos um ambiente de negócios um pouco conturbado. Estamos sendo insistentes, em permitir que esses bons empreendedores “surfem” nesse ambiente conturbado, mostrando para eles que qualquer empreendimento que passe por aqui, tem que possuir uma visão exponencial e de internacionalização.

Quais os próximos passos da Venture Hub? Serão diferentes frentes das citadas anteriormente?

O nosso DNA tem a ver com startups e empreendedorismo, mas para chegar nessa relação com perfeição, temos que fazer a conexão desse mundo com o ambiente de negócios. Por isso, estamos agindo fortemente com inovação corporativa e metodologias ágeis, levando para as grandes empresas o jeito de pensar das startups, com programas de transformação cultural até a aproximação dessas empresas com startups para investimentos ou parcerias. Alguns dos nossos clientes são a L’Oréal, Philip Morris, AGV Logística, Scholle IPN, dentre outras.

Tem algum ponto importante e que deseja falar nessa entrevista que não foi abordado?

Acreditamos muito no papel que a Campinas Tech tem para turbinar a cultura empreendedora na região. Precisamos de uma instituição que atue na base da pirâmide, com ênfase nas boas práticas de ecossistemas em que a colaboração e a cultura do risco e da tolerância ao erro sejam pilares quase que “doutrinários”, abrindo espaço para o surgimento de muitos e muitos empreendedores. Por isso, 100% das ações da Campinas Tech são apoiadas pela Venture Hub, pois boas comunidades geram ambientes para geração de negócios.


Entrevista e texto por:

Por Ariela Maier – Redação do Campinas Tech.

Comunidades de Startups: por que aqui? O papel do governo e da comunidade local

Reunião de Ecossistema da Campinas Tech. Dezembro 2018.

Introdução – Comunidades de Startups

Os casos das startups “unicórnios” Movile e iFood, Nubank, 99 e Netshoes, colocam o Brasil no mapa global das startups. Recentemente, provamos nosso valor com cases de sucesso que trouxeram aos brasileiros a realidade de negócios que resolvem grandes problemas e que crescem rapidamente. Mesmo com a concorrência de iniciativas globais, que aparentemente demonstram mais ímpeto e capacidade de execução do que as iniciativas nacionais, conseguimos demonstrar que podemos gerar negócios de altos impacto e valor.

Esses casos de sucesso aumentam as discussões em torno do tema e o que se nota é que, cada vez mais, surgem iniciativas que buscam agregar startups, reunir empreendedores e gerar awareness sobre o assunto por meio de eventos e atividades relacionadas.

As comunidades prósperas são as responsáveis de fato pela sustentabilidade e catalisação do processo empreendedor a longo prazo, auxiliando no crescimento das startups e fomentando que novos empreendedores surjam. Conseguir construir uma comunidade de startups trará crescimento para uma região ou localidade.

Quem nunca ouviu falar do Vale do Silício? Sua riqueza e relevância não surgiram “do nada”. Existem alguns fatores que fazem com que o principal movimento de inovação e empreendedorismo do mundo aconteça naquela região.

Acredito que Campinas é uma comunidade protagonista no Brasil. Aqui surgiu a primeira associação de startups do país, a Campinas Startups, a qual hoje se tornou Campinas Tech, por assumir uma abordagem mais abrangente com relação ao empreendedorismo e ao papel social da instituição de fato. São muitas iniciativas de sucesso que começaram por aqui: a própria Movile, QuintoAndar, Ci&T, Sensidia, Superlógica e PJBank, Agrosmart, I-Systems, Dentro da História, Shawee e Assertiva. Neste momento, estamos construindo um ecossistema que facilita de fato o surgimento de empreendimentos de grande impacto, em um trabalho sem qualquer precedente no Brasil.

O ecossistema de empreendedorismo é composto por diversos players conforme mostra a figura abaixo. É objetivo deste texto comentar os fatores que fazem comunidades apresentarem um aspecto local, apontando como os governos locais podem fomentar o surgimento desta comunidade. Além disso, explico como uma comunidade de empreendedores colabora para o fomento do empreendedorismo de longo prazo.

Sobre os fatores de adensamento

Em um mundo onde a localização importa cada vez menos, é importante entender o que faz com que comunidades de startups surjam em determinadas regiões geográficas do globo uma vez que isto pode indicar características comuns que permitam replicar tais comunidades. As principais explicações levam em consideração aspectos econômicos, sociais e demográficos.

A concentração de startups em uma área permite ganhos de escala externos a elas e este é o aspecto econômico da concentração. Ganhos relacionados à infraestrutura, ambiente regulatório (burocracias e taxas), presença de serviços especializados de advocacia e contabilidade, acesso a capital (investidores), concentração de talentos (universidades), etc. Assim, empresas concentradas em uma localização irão ratear os custos da existência desta infraestrutura, gerando ganhos de escala, o que potencializa o crescimento dos participantes desta região ou comunidade.

Dentre todos os provedores destes ganhos, com certeza as universidades e as instituições de ensino e formação de talentos são as mais relevantes, sendo que a ausência destas reduz em muito as oportunidades de adensamento por ganhos de escala. As universidades são extremamente estratégicas neste sentido.

A participação do governo local é importante para guiar a ocupação do território, através dos Planos Diretores, para a atração de universidades e centros de formação de talentos, redução da burocracia, aumento dos incentivos fiscais, e para disponibilização de infraestrutura de qualidade para o bom desenvolvimento dos negócios.

Do ponto de vista sociológico, a cultura de abertura das principais empresas e compartilhamento de informações causam efeitos de rede que aumentam a concentração de empreendedores e empreendimentos naquela região. O simples fato de alguns empresários colaborarem com outros, incentivarem o crescimento de outros e compartilharem experiências, fomenta o surgimento de outros empreendedores e abre o mercado. Isso catalisa o processo e o principal exemplo disso é o próprio Vale do Silício. Esta cultura de abertura e compartilhamento de informações entre seus principais players permitiu uma evolução muito mais rápida do que de outras localizações de características similares.

Relatos sobre CEOs compartilharem informações são muito comuns, o que catalisou todo processo empreendedor da região. Nesse sentido, é papel do governo local incentivar instituições que promovem a troca de experiências e propiciam momentos de contato e geração de colisões, que é o princípio básico do fomento à inovação. Novamente, podemos entender o papel de suporte do governo local para incentivo às iniciativas.

Finalmente, do ponto de vista demográfico, pessoas de alto potencial, criativas, inventivas e com grandes quantidades de informação pretendem viver em locais de alta qualidade de vida, onde exista uma cultura de tolerância ao diferente e às novas ideia, e, mais importante, cercado de pessoas que se pareçam com elas. Isso justifica o adensamento em torno de regiões geográficas. Nesse sentido, é papel do público legislar sobre a diversidade e apoiar o trabalho das instituições de ensino, de tal forma a suportar a existência de ambientes diversos e com valores positivos para o crescimento das comunidades.

O papel da Comunidade

A comunidade de empreendedores é quem de fato faz a diferença na formação de empreendedores e empreendimentos no longo prazo. Essa é uma releitura de uma afirmação importante do livro “Startup CEO”, de Matt Blomberg, onde o autor cita que “um conselho empreendedor é um ativo de valor incalculável para o empreendedor”, ou seja, sendo um ativo de altíssimo valor, a criação destes conselhos é o que de mais importante pode ser gerado dentro da comunidade.

Um dia conversando com um amigo, falamos sobre o poder do compartilhamento de informações por parte de grandes empreendedores e a capacidade de atração de empresas e talentos para determinada região a partir disso. Disse ele: “Se o CEO da empresa XPTO se reunir com 10 jovens de alto potencial e explicar para eles o processo de conseguir faturar R$100 milhões em 10 anos, então esses jovens não terão o direito de demorar 10 anos para conseguirem o mesmo resultado”. De fato, se um empreendedor desse porte oferece este tipo de conhecimento, então o papel da comunidade e do empreendedor passa a ser extremamente relevante para a atração de talentos para determinada região.

Apenas essa iniciativa tem potencial de atração de talentos nacionais para participação no programa e, nesse momento, a presença de outros fatores de adensamento, como citados acima, passam a ser menos relevantes na opção do empreendedor de construir um negócio na região.

Para chegar a esse nível e para conseguir que este tipo de iniciativa e percepção emerja de um ambiente de colaboração, gestão horizontal e criatividade em torno da problemática do empreendedorismo de alto impacto, é necessário trabalho sério e focado na construção e estabelecimento da comunidade. Esse tipo de efeito é derivado do trabalho de instituições criadas em torno de um propósito forte, embasado por conhecimento científico e empírico, trazido e traduzido de outras experiências ao redor do mundo. Em Campinas, desenvolvemos a hipótese do Funil Empreendedor e estamos a validando e medindo os resultados por meio de experimentos reais. Esse assunto será tratado em outros posts.

Logo, o papel da comunidade é trazer os empreendedores para atuarem no processo de evolução de outros empreendedores, do ambiente, dos investidores, das instituições de ensino e do ambiente regulatório, ou seja, do sistema complexo que envolve o empreendedorismo de forma global. Dessa forma, a comunidade representa as dores dos empreendedores e suas iniciativas próprias que melhoram o sistema, sendo assim, definitivamente, o protagonista no desenvolvimento e apoio ao processo empreendedor de longo prazo, regional e através das conexões de redes, nacional e internacional.

É importante que cada um dos players entenda seu papel e exerça suas capacidades de forma plena, sem confundir os papéis com outros players, promovendo assim a sinergia e a confluência de ações.


Texto por:
Raul Cardoso
, empreendedor e Presidente da Campinas Tech.

Empreendedorismo e inteligência emocional, uma parceria de sucesso

As constantes mudanças geradas pela globalização, pela era digital e pela indústria 4.0, têm contribuído muito para o surgimento de novas formas de negócios e de trabalho e, uma das carreiras que mais está em ascensão é a do Empreendedorismo com Propósito.

Foto por Johanna Buguet no Unsplash

Ser empreendedor vai muito além de criar novos produtos, serviços ou obter lucros. Ser um empreendedor é traçar sua rota e criar um trabalho que esteja alinhado ao estilo de vida que se deseja levar, aos seus valores, as suas habilidades, seus talentos e ao legado que se pretende deixar no mundo.

Um dos grandes diferenciais do empreendedorismo é que você pode antes de tudo, SER quem você realmente nasceu para SER, depois FAZER, e o TER será uma consequência. Para alguns poderá vir em forma de reconhecimento, para outros de sucesso, status, bens materiais ou o tão desejado equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Um bom empreendedor é um visionário, transforma problemas em oportunidades, se dedica 100% ao que se está fazendo, atua em rede, de forma colaborativa, sabe dar e receber feedbacks, inspira liderança, gera networking, ajusta rotas quando se faz necessário mudar a direção do planejamento ou da ideia inicialmente proposta. Ele também sabe lidar com os haters, tendo foco nas críticas construtivas por meio da escuta ativa.

Pode-se então dizer, que dentre as habilidades mais requisitadas para um empreendedor estão: a empatia, a resiliência, a criatividade, a inovação, a comunicação assertiva, o otimismo, o foco, a habilidade de orientação para o futuro e a tolerância a ambiguidade e incertezas. A maioria dessas habilidades estão relacionadas à inteligência emocional.

Segundo Daniel Goleman, a Inteligência Emocional é a combinação de 2 pilares:

  • Competências emocionais sociais: A capacidade de se conectar com o próximo e com a sociedade;
  • Competências emocionais pessoais: A capacidade de se conectar de forma harmônica e amorosa consigo mesmo.

Diante de todo exposto acima, fica evidente que o que pode impulsionar um empreendedor a ser bem sucedido ou a vir a fracassar, está relacionado à capacidade de saber gerenciar e lidar com as suas emoções.

Vale ressaltar, que para ser um Empreendedor de sucesso, além de conhecer as variadas formas de análise e gestão do negócio e do mercado, é crucial que goste muito do que faz e seja um conhecedor de si mesmo, que invista em aprendizagem constante e em autoconhecimento, pois desta forma se tem a clareza dos valores, dos pontos fortes e dos a serem aprimorados, das crenças fortalecedoras e limitantes, o que certamente contribui para que tudo fique muito mais leve e torne mais fácil de se aplicar a inteligência emocional.

As estatísticas demonstram que apenas 13% das pessoas fracassam por falta de QI e 87% por falta de QE (abreviação de Inteligência Emocional).

Enfim, no Empreendedorismo com Propósito, trabalho e prazer andam de mãos dadas, o que faz com que o Empreendedor seja um verdadeiro desbravador de rotas, um realizador de sonhos e um inovador no protagonismo da sua jornada, da sua própria história, deixando a sua marca e a sua contribuição para um mundo melhor.

E aí de 10 a 0, quanto você tem sido VOCÊ e não o que os outros ou a sociedade dizem ou querem que você seja?

Seja você em sua mais pura essência, invista naquilo que faz seus olhos brilharem e lute pelas causas que te fazem sentido. Viva sua melhor versão e bora desbravar novas rotas!

Um forte abraço!
Graciene Ceolin


Texto por:

Graciene Ceolin – Coach e Palestrante (Desbravando sua Rota) / Assistente Executiva (Deloitte).

Legal Design — Uma nova forma de pensar o Direito

 

A formação do direito advém de diferentes fontes que a doutrina clássica define como fontes formais e materiais e, dentro destas classificações, se encontram as leis, os costumes, as doutrinas, os princípios e a jurisprudência. De acordo com Hugo de Brito Machado[1], “a fonte de uma coisa é o lugar de onde essa coisa surge. Assim, a fonte do direito é aquilo que o produz, é algo de onde nasce o direito.” Desse modo, se uma população tem por costume e tradição fazer algo que posteriormente venha a ser definido em lei, pode-se dizer que a fonte daquele direito é o costume de seu povo pois, sem tal costume, aquela lei não existiria.

Nesse sentido, a transferência das tradições, costumes e outras práticas sociais, entendidas estas como fontes materiais do direito são repassadas gerações após gerações e utilizadas como fontes acessórias e secundárias para aplicação do direito nos países mais positivistas, como no caso do Brasil. O artigo 4º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro bem destaca tal indicativo ao estabelecer que “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”.

No entanto, estes costumes e princípios tão caros ao direito geram, como consequência natural, um distanciamento com as importantes atualizações e desbravamento de novos caminhos para a sociedade (e para o próprio direito), especialmente dentro de um mundo conectado como vivemos hoje.

Norberto Bobbio, um dos mais reconhecidos filósofos-políticos e juristas do século XX,destaca que “os costumes, largamente utilizados nos países que adotam um direito costumeiro, não são capazes de direcionar os caminhos a serem percorridos por uma sociedade, mas tão somente de mantê-los”[2].

Inovação é considerada algo arriscado e a palavra risco parece não fazer parte do dicionário dos mais de 900[3] mil alunos que se formam nas faculdades de direito todos os anos no Brasil. Esta aversão a risco, ao mesmo tempo que traz segurança e estabilidade, limita a reinvenção do direito e a forma como os advogados exercem suas atividades e entregam valor a seus clientes dentro de um contexto da chamada 4ª Revolução Industrial.

Todos os dias novos modelos de negócios, novas formas de atuar e novas necessidades de se adequar à realidade surgem à nossa volta, desde financiamento de projetos exclusivamente digitais que desafiam as regras estabelecidas (como é o caso dos ICOs) até organizações corporativas de pessoas em squads e tribes (como é o caso de empresas como Spotify). Nesta onda inovadora, vemos a aplicação, cada vez mais difundida, da metodologia de design thinking como um novo modelo de resolução de problemas.

O termo design thinking foi primeiramente utilizado com destaque no livro The Science of the Artificial de Herbert A. Simon, trazendo a noção de design como um “formato de pensamento”. Posteriormente, Tim Brown, CEO da Ideo e um dos maiores evangelistas do tema, passou a difundir o uso do conceito para outras áreas. David Kelley fundador da Ideo e Roger Martin, diretor da Escola de Gestão da Universidade de Toronto são, também, outros nomes de destaque que ajudaram a divulgar o conhecimento e aplicação da metodologia em vários setores de negócio.

Em essência, entende-se como design thinking um método de pensamento mental, voltado ao ser humano e que visa a solução de problemas pelo processo de empatia. Thomas Lockwood, presidente do Design Management Institute define design thinking como “um processo humano focado em inovação, centrada no ser humano e que enfatiza a observação, colaboração, aprendizado rápido, visualização de ideias, protótipos de conceito rápido e análise de negócios simultâneos, o que acaba influenciando a inovação e a estratégia de negócios” [4]. Tim Brown, de maneira similar, conceitua como “uma metodologia que permeia todo o espectro de atividades de inovação com um espírito de design voltado para o ser humano”[5]. Em resumo, é a forma de aplicar princípios de design em outras áreas de negócios através de pilares como simplicidade, experiência do usuário, foco no ser humano e inovação.

A despeito de ter se tornado um pouco hype em vários negócios, o design thinking é utilizado em muitas indústrias e grandes companhias já alcançaram resultados extraordinários. A gigante financeira Fidelity criou o Fidelity Labs, um laboratório de experimentos financeiros que usa a metodologia para escanear oportunidades, testar e prototipar produtos inovadores e, por fim, escalar os mesmos em sua base de clientes. Hoje a Fidelity Labs está presente em 8 escritórios globais, conta com 150 pessoas atuando exclusivamente em seus experimentos e possui mais de 200 patentes de novos produtos financeiros[7].

No direito, no entanto, o conceito de design thinking ainda é muito pouco difundido, mas os efeitos práticos seguem mesma linha de melhorias aos de setores já testados.

Denominado de Legal Design por alguns designers, o design thinking aplicado ao direito se dá pela aplicação dos mesmos princípios basilares do design thinking tradicional aos problemas enfrentados no universo jurídico. Margaret Hagan, diretora do Legal Design Lab da Stanford Law School e professora do Stanford Institute of Design, destaca que legal design “é a forma como avaliamos e desenhamos negócios jurídicos de maneira simples, funcional, atrativa e com boa usabilidade”[8].

Advogados e operadores do direito, em sua maioria, não experimentam novas estratégias ou teses, não buscam soluções inovadoras e tampouco testam e prototipam novas ideias. Tendem a ser perfecionistas e terminar todo o trabalho antes da entregaao cliente. Este processo, como já dito acima, elimina qualquer tipo de inovação, criatividade ou testes antes da entrega final. A adoção do legal design ajuda a compreender novas formas de trabalho, maior iteração com os clientes, design de documentos mais acessíveis, atendimento mais humanizado e busca de soluções inovadoras.

Focado na experiência do usuário/cliente, o processo do design thinking é composto por 6 etapas: descobrir; definir; idealiza; prototipar; testar; e implementar. Todas estas etapas devem ser sempre trabalhadas através da empatia, ou seja, se colocando sempre no lugar do cliente para buscar respostas aos desafios propostos.

Realizando este ciclo constantemente, medindo os resultados e implementando melhorias constantes, os advogados conseguirão incorporar mais valor a seus serviços. Ao invés de trabalhar em um caso durante muito tempo e, somente ao final, apresentar o resultado pronto, o advogado poderia trabalhar “em conjunto” com o cliente, entender melhor suas dores e testar alternativas rápidas, antes da entrega final. Certamente o resultado será melhor e mais eficiente para a dor do cliente.

A organização americana Tenessee Alliance for Legal Services que desenvolveu um checklist online[9] de perguntas para identificar se pessoas comuns tem ou teriam risco de ter algum tipo de problema legal e, caso tivessem, quais as ferramentas disponíveis para ajudá-las. A iniciativa, pensada a partir do design thinking, foi desenvolvida em entrevistas com usuários, a experiência é simples, a usabilidade intuitiva, direta e colocando a dor do usuário no centro do problema.

Em outro exemplo, o Instituto de Arbitragem da Finlândia valeu-se do legal design para explicar e melhorar a usabilidade da sua ferramenta digital de arbitragem. O trabalho foi realizado em conjunto por legal designers, usuários e estudantes para entender quais eram as melhores informações a serem destacadas, o fluxo destas informações e a forma que elas deveriam ser expostas. Vários protótipos foram previamente testados e a versão final foi amplamente reconhecida pela indústria [10].

Entretanto, o processo não é tão simples quanto pode parecer. Aprofundamento de entrevistas, open-mind para gerar empatia, busca de insights, determinação para testar, paciência para iterar, foco para medir e abertura para ouvir opiniões diversas são qualidades que devem fazer parte da jornada.

Neste processo, as dinâmicas de trabalho em equipes multidisciplinares, ambientes colaborativos, testes e falhas rápidas nos levam a encontrar respostas de dentro para fora, e não de fora para dentro, tornando as soluções mais eficientes e objetivas às dores.

Diversas universidades e escolas de direito reconhecem o valor gerado a partir deste novo modelo de pensamento e criaram núcleos de estudos focados no tema. A Universidade de Stanford continua sendo a mais reconhecida em termos de inovação e no Direito não fica para trás com o já mencionado Legal Design Lab. A Northeastern University School of Law criou o NuLawLab para discutir programas e projetos utilizando o design thinking como ferramenta, criando grupos coletivos de discussão sobre moradias populares, redesign de tribunais e pesquisas de igualdade racial. Por fim, a Vanderbuilt Law School e a Berkeley Law também possuem programas focados em utilizar a metodologia do design thinking para resolução de problemas.

Em conjunto com novas metodologias, ainda, deve-se trabalhar uma grande mudança de cultura dentro da visão dos advogados e, conjuntamente, o domínio e novas ferramentas tecnológicas para que os trabalhos sejam desenvolvidos com maior eficiência. Estas etapas da transformação do direito são longas mas o início se dá agora, nos pequenos passos.

Nosso intuito é hackear o direito e torná-lo mais acessível, de modo que os operadores do direito, as pessoas que dele se beneficiam e a sociedade como um todo possam usufruir de uma justiça mais humana, simples e funcional.

Fontes

[1] MACHADO, Hugo de Brito. Uma Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Dialética. 2000.

[2] BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico, 6ª ed., Brasília: Universidade de Brasília, 1995.

[3] Conselho Federal da OAB

[4] LOCKWOOD, Thomas. Design Thinking: Integrating Innovation, Customer Experience, and Brand Value. Estados Unidos Da America: Allworth Press, 2009.

[5] BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017

[7] https://www.fidelitylabs.com/

[8] http://www.lawbydesign.co/

[9] https://applications.help4tn.org/a/checkup

[10]https://arbitration.fi/arbitration/fai-arbitration-process/

 

Texto por:

Guilherme Leonel e Natalia Miyazaki, originalmente publicado no Medium da Legal Hackers Campinas.


Lex Design:
 

Equipe:
Guilherme Leonel
Lucas Orsolini
Rafal Ceravolo

“Salto de Fé” – Confira a websérie que contará histórias de empreendedorismo

Está no ar a websérie Salto de Fé – Histórias de empreendedorismo #NoFilter, uma coprodução Jumpers & Pipoca.Lab, que busca compartilhar histórias relacionadas a empreendedorismo, o dia a dia e desafios sob a ótica do próprio empreendedor, que atua e avança com seu salto de Fé em um ambiente cada vez mais dinâmico e incerto.

O primeiro capítulo abordará o tema propósito. Confira:

Ao todo, serão 4 capítulos que se desdobram ao longo dos meses de março e abril de 2019. Para não perder nenhum episódio, se inscreva no canal da Pipoca.Lab.

Os desafios da transição empreendedor/executivo

Durante a jornada do empreendedor existem diversos momentos de mudanças de rumos, seja do negócio ou do próprio comportamento dos empreendedores. Entretanto um deles se destaca pelo alto grau de complexidade e da aptidão necessária para isso, especialmente por se tratar de uma mudança de mindset comportamental. Trata-se da transição empreendedor/executivo.

Foto por rawpixel.com do Pexels.

Empreendedores de sucesso utilizam um framework mental nas tomadas de decisão, o que foi recentemente descrito como sendo o raciocínio efetual. Este tipo de pensamento é caracterizado pelos 5 princípios do Effectuation, framework construído a partir de um estudo com diversas mentes empreendedoras por todo o mundo. O pensamento empreendedor difere-se muito do pensamento executivo, que costuma ser causal, isto é, analisa as situações em uma relação de causa e efeito.

Os princípios do effectuation podem ser resumidos da seguinte maneira:

  1. Bird in hand (passarinho na mão): faça o máximo que puder com o que tem, o que sabe e com quem conhece;
  2. Patchwork kilt (colcha de retalhos): construa parcerias e conecte pessoas;
  3. Leverage surprises (faça do limão uma limonada): enxergue oportunidades nas adversidades e aproveite-as;
  4. Pilot in the plane (piloto do avião): esteja no comando do avião para que ele voe para onde precisar;
  5. Affordable loss (perda aceitável): tome decisões baseadas no que esta disposto a perder e não no quanto está disposto a ganhar.

Acontece que conforme a startup vai escalando e se estabelecendo, a necessidade de alinhamento com mais stakeholders (sócios, funcionários, clientes, parceiros, investidores, etc) vai deixando a vida do empreendedor mais restritiva. A consequência pode ser desmotivar o empreendedor a continuar executando a visão de quando ele estava na garagem trabalhando no seu produto e tirando sua ideia do papel.

As principais características do pensamento executivo que representam uma mudança de mindset daquele descrito são: a necessidade de controle de recursos (principalmente financeiros) por requisitos de governança; a necessidade de estruturação de projetos de execução alinhando cada vez mais equipes diferentes e distantes; estruturação de reports executivos para diretoria e conselho; entre outros.

Poucos empreendedores conseguem executar esta transição com sucesso, e por isso existem diversos casos de “demissão de CEOs” à medida que a empresa vai se estabelecendo. Os que conseguem fazê-lo se tornam grandes ícones e inspiram empreendedores ao redor do mundo, por exemplo Bill Gates (Microsoft), Jeff Bezos (Amazon), Larry Ellison (Oracle) e até o nosso brasileiro (e baiano-campineiro) Fabrício Bloisi.

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Considerando os casos mencionados, se a transição de empreendedor para executivo é feita com sucesso, a chance desta pessoa se tornar uma referência regional e até mesmo global é relevante. Isto porque ela une o ímpeto empreendedor (que agrada ao mercado) com a confiabilidade executiva (que agrada conselho e acionistas), e potencialmente consegue conduzir suas equipes a grandes desafios.

De qualquer forma, aliar o pensamento visionário e de sonhador ao poder de execução de um executivo é um desafio gigantesco. Durante este caminho invariavelmente o empreendedor deve buscar auxílio externo, seja em grupos de confiança ou até mesmo contratando assessoria e coaching especializado. Estas ajudas podem encurtar caminhos importantes, especialmente quando o negócio requer ações mais ágeis do que a curva de aprendizado do seu líder.

Texto por:

Omar Branquinho – Vice Presidente da Campinas Tech


Originalmente publicado pelo Medium da Campinas Tech.

Por dentro da Pixar

Texto por Mauricio Bueno, Co-founder e CEO da Weme

Espaços que estimulam a inovação e o empreendedorismo. Em dezembro do ano passado, eu e o Eduardo Yuji fizemos um estudo de caso no Vale do Silício sobre as dimensões contextuais de organizações que promovem o aprendizado e a inovação. A ideia é compartilhar algumas das visitas que fizemos por lá.

Mais ao Norte da Bay Area, na cidade de Emeryville, CA, fica a sede da PIXAR. A cultura declarada, e apresentada em suas produções, da perfeição nos detalhes, de combinar ciência e arte para encantar os espectadores, traduz-se no seu headquarter.

Foto assessoria de imprensa PIXAR

A sede da PIXAR foi também pensada para ser um campus e receber até 1.000 funcionários. Convidado e orientado por Steve Jobs — fundador da PIXAR — o arquiteto Bohlin Cywinski Jackson projetou local que promove encontros e colaborações não planejadas, e exibe uma arquitetura atemporal.

Diferente dos demais campi visitados, o da PIXAR é todo cercado e com segurança nos acessos. Dentro, o campus de 20 acres bem no meio da cidade de Emeryville, exibe uma paisagem agrária — com plantas e árvores exóticas e nativas — do que jardins bem cuidados com muitos lugares para caminhar, sentar ou conversar. A área externa inclui um anfiteatro aberto com 600 lugares, um campo de futebol e uma horta orgânica — utilizada pelo restaurante da empresa. Há também uma piscina olímpica, quadra de vôlei e basquete e trilhas.

Foto assessoria imprensa PIXAR
Foto assessoria imprensa PIXAR

Caminhando até o prédio principal, uma estátua gigante do principal personagem de abertura dos filmes — Luxo Jr — decora a entrada. Aliás, os personagens das animações da empresa estão espalhados dentro e fora do prédio e dão o tom divertido e de propriedade.

Foto de autoria própria

Dentro do prédio, a primeira visão é de estar em um átrio amplo e aberto. O átrio tem de forma muito integrada, recepção, caixas de correio, café, jogos de mesa, uma academia, duas salas de exibição de filmes e um grande teatro. E também os banheiros principais do campus. Segundo os funcionários, a ideia é que as pessoas sejam estimuladas e se encontrarem.

Desde o átrio percebe-se uma preocupação meticulosa com os detalhes, o prédio é limpo, harmônico, com muitos elementos de madeira, tijolos aparentes e vidro.

Foto assessoria imprensa PIXAR

Na área de trabalho, os escritórios são separados (baseado em cubículos) e arranjados em um formato de “U” com 5–6 escritórios individuais — e uma área central aberta para encontros e colaboração não planejada.

Em termos de decoração, o estilo é diverso e vale o gosto do usuário, há algumas pessoas que tem uma cabana, outros que compartilham o escritório, trabalham de pé ou decoram com uma infinidade de personagens.

Foto assessoria imprensa PIXAR
Foto assessoria imprensa PIXAR

O time da WeMe corporate innovation pode ajudar você e sua organização a projetar e implementar um ambiente que estimule também a inovação e o empreendedorismo. Entre em contato com a gente para saber mais sobre isso dfc@weme.nu

Quem somos?
Nós somos uma rede que ajuda a construir e acelerar ecossistemas em transformação. Ajudamos e estimulamos os membros do ecossistema a: identificarem oportunidades focadas nos valores humanos, idear e prototipar, e transformar protótipos em negócios relevantes.

No trabalho com grandes empresas (a weme corporate), somos uma aceleradora corporativa que, junto com as grandes empresas, idealiza, constrói e traciona soluções, por meio de metodologias poderosas para a transformação de mindsets.


Texto por:

Mauricio Bueno – Co-founder e CEO da Weme

Originalmente publicado pelo blog da Weme, parceiro da Campinas TECH.