Momento certo, foco e resiliência: a trajetória empreendedora de Ricardo Corrêa com a Ramper

Profissional de marketing e vendas B2B com mais de 12 anos de atuação no mercado de software, Ricardo Corrêa hoje desponta no comando da Ramper, negócio criado por ele em 2016 e uma das startups de mais rápido crescimento no Brasil.

Ricardo Corrêa, CEO e cofundador da Ramper | Foto: Arquivo Pessoal

1 – Como você começou a empreender?

Eu comecei a empreender em 2012, quando vi que a indústria de marketing e vendas do Brasil passaria por uma transformação (que de fato veio a acontecer) e eu poderia ser protagonista desse movimento. Como eu já tinha acumulado conhecimento e networking o suficiente até ali, decidi arriscar. Foi aquela máxima “a sorte acontece quando a oportunidade passa e você está preparado pra ela”.

2 – Houve um “momento de virada” na construção do seu negócio?

Durante o período em que estava encerrando o meu primeiro negócio (Siteina) e iniciando o segundo (Ramper). Eu senti na pele e no bolso a dor que é desconstruir um negócio no Brasil e conheci o lado realmente difícil de empreender. Ao mesmo tempo, precisei me manter otimista para fazer o novo negócio dar certo, mesmo quando todas as probabilidades me mostravam o contrário. Após algum tempo, eu provei estar certo na concepção da Ramper e consegui sair do outro lado muito melhor do que eu entrei.

3 – Poderia detalhar um pouco mais a sua trajetória empreendedora?

De 2006 à 2012 eu trabalhei na área de marketing de algumas empresas de software – ganhei experiência, desenvolvi relacionamentos, construí times e realizei alguns projetos bem sucedidos que me encorajaram a empreender. Em 2012, vi que muitas empresas precisavam do que eu sabia fazer e a melhor forma de capturar essa demanda era criando um negócio. Abri a Siteina, uma consultoria de marketing digital especializada em empresas de tecnologia. Atendemos, ao longo de 5 anos, quase 200 empresas B2B.

Em 2016, na busca de desenvolver um produto/software, chegamos na ideia da Ramper. Assim como na primeira vez que empreendi, vi que o mercado passaria por uma transformação e decidi criar um segundo negócio para capturar a oportunidade. Na segunda, fiz muito melhor do que na primeira.

4 – Quais foram os principais desafios que você precisou vencer ao longo desta trajetória?

No primeiro negócio (Siteina), foram muitos desafios pessoais de fazer as primeiras contratações/demissões, estar na linha de frente dos clientes e aprender a administrar um negócio e suas várias nuances – vendas, atendimento ao cliente, financeiro etc. Tudo isso ao mesmo tempo que precisava amadurecer como profissional.

O segundo negócio (Ramper) foi beneficiado com os aprendizados do primeiro, mas trouxe vários novos. Precisei aprender a criar processos mais escaláveis, contratar e gerenciar times maiores, lidar com investidores e um negócio que opera com um volume muito maior que o anterior.

5 – E como esses desafios foram enfrentados?

Nos primeiros anos, eu aprendi da forma mais empírica o possível – errando, dando cabeçadas. Sofri bastante, mas aprendi muito. Na Ramper, vi que eu seria ainda mais desafiado e os erros poderiam custar muito caro, por isso passei a estudar mais – atualmente, leio mais de 20 livros por ano – e a consultar outros empreendedores que estão em estágios mais avançados do que eu para aprender com eles. Desde o início da Ramper, comecei a palestrar e me engajar com iniciativas educacionais, e isso me forçou a estudar muito. Ler livros e conversar continuamente com pessoas da sua área são hábitos que recomendo para todo empreendedor.

6 – Quais as dicas que você dá para quem deseja iniciar um novo negócio?

Na hora de iniciar um negócio, procure encontrar equilíbrio entre razão e paixão. O negócio precisa fazer sentido a ponto de você conseguir capitalizar uma competência sua resolvendo um problema de mercado – a conta financeira precisa fechar. Contudo, se for só grana e não tiver paixão envolvida, você certamente vai desistir no caminho.

7 – Tem planos para sua trajetória empreendedora? Como se imagina ou quer estar no futuro?

Claro – todo empreendedor deve ter planos, caso contrário ele cria um negócio de sobrevivência que apenas consome tempo e energia. Acredito que a Ramper ainda vai muito longe – conquistar o mercado local, e partir para o mercado global. Como empreendedor, além da realização da Ramper, espero ainda contribuir muito com o cenário brasileiro de empreendedorismo e ajudar muitos outros empreendedores em suas jornadas.

8 – Qual foi a mensagem que você quis passar na 8ª Conferência Campinas Startups?

A mensagem que eu quis passar é que muita gente vê o lado romântico e glamoroso de empreender – e, de fato, a causa é muito nobre. Contudo, existem muitos desafios e riscos envolvidos na jornada. Estou há quase 8 anos empreendendo e ainda me sinto muito distante de onde quero e posso estar – isso nos dá uma noção de quanto tempo e dedicação é preciso aplicar.

9 – Você considera que Campinas é um bom lugar para os que desejam iniciar um novo negócio?

Eu acredito que sim. A cidade tem boas universidades, entidades de fomento, startups de sucesso e novos negócios borbulhando. Tudo isso cria um ambiente fértil e propício para criação de novos negócios.

10 – Na sua visão, o que a cidade oferece ou deveria oferecer como atrativo aos empreendedores?

Acredito que a minha resposta não se aplica apenas à Campinas, e sim de uma forma geral no Brasil. A melhor forma de ajudar os empreendedores é reduzindo a carga de tributos, encargos e burocracia.

11 – De que forma você vê iniciativas como a Campinas Tech no fortalecimento do empreendedorismo nas cidades?

São as iniciativas como o Campinas Tech que ajudam a alinhar os atores envolvidos em um ecossistema de empreendedorismo e dão narrativa da história. São o epicentro de um ecossistema.


Da ficção para a vida real, conheça a história do fundador da Pipehline

Desde a infância, Tercio Dias Pereira se encantava com filmes de personagens que começavam sua trajetória profissional do zero e, ao final, conseguiam construir grandes empresas. Inspirado por essas histórias, Tercio resolveu trilhar o seu próprio caminho dentro do empreendedorismo ainda na juventude. Atualmente, ele é o fundador e diretor executivo de Novos Negócios da Pipehline, empresa especializada em consultoria de Vendas e Marketing. Conheça um pouco mais sobre a carreira dele:

Tercio Dias Pereira | Foto: Divulgação

Poderia começar contando um pouco sobre a sua trajetória empreendedora?

Com esta maturidade de consciência que tenho hoje, comecei por volta de 2000. Na época, eu deva aula na Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Jundiaí, e vários professores também trabalhavam como consultores independentes e/ou eram empresários. Com isso, trocávamos experiências sobre casos de sucesso e fracasso no
mundo empreendedor. Me lembro que ficava angustiado com o tempo que eles tinham para viver seus negócios, enquanto eu nunca tinha tempo de pensar em uma vida destas para mim. Sempre trabalhei muito para as empresas como funcionário e me sentia sufocado.

Quando este cenário mudou?

Eu trabalhava em uma grande empresa de tecnologia como Gerente de Filial e, em certa ocasião, um de nossos clientes me perguntou se eu poderia ajudá-lo a estruturar a sua área comercial. Daí eu pirei! Agradeci e recusei o convite, pois havia choque de interesses profissionais naquele caso, mas aquilo me inspirou e senti que era o momento de mudar minha vida. Coincidentemente acabei saindo da empresa pouco tempo depois e fui rapidamente assessorar este cliente. Foi nesta época que montei a Pipehline. Sozinho, inicialmente. Apanhei muito no começo e entendi que precisaria entender melhor o mercado de startups e novos modelos de negócios. Foi quando comecei a conhecer vários cursos na área e também a Associação Campinas Startups (ACS), hoje conhecida como Campinas Tech.

Houve algum momento de virada na construção do seu negócio?

Sim. Em um destes workshops acabei conhecendo meu sócio Rodnei Albuquerque. A partir de então, focamos na consultoria de Marketing e Vendas. Notamos que os empreendedores tinham muita dificuldade em decolar suas vendas, pois o mercado estava mudando rapidamente e eles não percebiam. Então entramos neste nicho e acertamos em cheio!

Quais foram os principais desafios que você precisou vencer ao longo desta trajetória?

Inicialmente, o desafio foi achar um modelo consistente e padronizado de implantação e sucesso. Iniciamos com Inbound Marketing puro, método que sempre fazia muito sentido para o mercado na época, mas no qual os resultados demoravam muito para chegar. Fomos pesquisando outros modelos de negócio e aprendendo coisas novas, chegada de novos parceiros, até acharmos o caminho certo. Outro desafio foi passar pelo ano de 2018, que afetou muito os negócios. A retração econômica foi muito forte em uma fase que estávamos com todas as turbinas ligadas. Sobrevivemos, mas foi complicado.

Tercio Dias Pereira | Foto: Divulgação

Como os desafios citados anteriormente foram enfrentados?

Com muita comunicação e humildade para escutar os clientes, comunicar internamente tudo o que estava acontecendo na empresa, trocar muita ideia e estabelecer métricas fáceis de extrair. Além de muita confiança e coragem de que
conseguiríamos passar por estes desafios!

Quais dicas você dá para quem deseja iniciar um novo negócio?

Conheça profundamente seu mercado, teste e pesquise muito sobre ele para entender se você realmente consegue resolver a dor deste segmento. Além disso, use métricas para entender os limites de suas capacidades e competências. Tenha humildade de pivotar e de buscar ajuda, afinal, ninguém nasce sabendo, bem como coragem e perseverança, pois ser empresário no Brasil é uma tarefa para heróis. Por fim, vá para a rua e venda! Sem cliente, você não tem uma empresa.

Você considera a região de Campinas é um bom lugar para os que desejam iniciar um novo negócio?

Sim. Se não fosse o ecossistema empreendedor de Campinas, a Pipehline nem teria nascido! Tem muita gente porreta, trabalhando muito para o sucesso da vida empreendedora. Sou muito grato a todos que conheci e que me ajudaram muito.

Na sua visão, o que a região oferece ou deveria oferecer como atrativo aos empreendedores?

O empresário precisa ter acesso a informações de muitas áreas empresariais diferentes e conseguir dividir suas dúvidas, problemas, etc… Na minha opinião, organizações como o Campinas Tech, bem como os coworkings e aceleradoras, estão se destacando justamente por atender estas demandas. Acredito que a região esteja no caminho certo!

 


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